Droga sintética apreendida em MS entra em alerta internacional da ONU
A identificação de uma substância sintética apreendida em Mato Grosso do Sul passou a integrar um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) que monitora novas drogas psicoativas na América Latina e no Caribe. A dipentilona, encontrada em forma de pó em fevereiro deste ano, foi analisada pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e incluída no boletim do primeiro semestre de 2026 do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).
A substância foi identificada pelo IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), da Polícia Científica, e comunicada ao SAR (Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 10 de março. A notificação resultou na emissão do Alerta Rápido nº 03/2026 e fez com que os dados passassem a integrar uma rede nacional de monitoramento formada por laboratórios forenses, órgãos de segurança pública, instituições de pesquisa e serviços de saúde.
A inclusão no boletim do UNODC, divulgado no início de julho, destaca a identificação feita em Mato Grosso do Sul como parte do acompanhamento internacional das chamadas NSPs (Novas Substâncias Psicoativas).
Apesar do alerta, a dipentilona não é uma droga nova do ponto de vista legal. O composto já integra a lista, da portaria do Ministério da Saúde, que reúne substâncias psicotrópicas de uso proibido no Brasil. A emissão do alerta tem como objetivo compartilhar informações técnicas entre autoridades e profissionais de saúde, sem criar novas restrições ou determinar operações policiais.
Também conhecida como dimetilpentilona ou N-metilpentilona, a dipentilona pertence ao grupo das catinonas sintéticas, drogas produzidas em laboratório e que atuam como estimulantes do sistema nervoso central. Segundo o alerta do Ministério da Justiça, essas substâncias alteram a ação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e norepinefrina, provocando efeitos semelhantes aos da cocaína, anfetamina, metanfetamina e MDMA, princípio ativo do ecstasy.
Para confirmar a presença da droga, os peritos utilizaram técnicas capazes de identificar a composição química do material mesmo quando ele apresenta aparência semelhante à de outras substâncias.
O Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas informa que usuários da substância relataram sintomas como insônia, alucinações, paranoia e confusão mental. Em atendimentos clínicos também foram registrados casos de agitação intensa e taquicardia.
Outro fator que preocupa as autoridades é que a dipentilona pode ser comercializada como se fosse ecstasy ou MDMA, sem que o consumidor saiba a verdadeira composição da droga. Isso dificulta o atendimento médico em casos de intoxicação e aumenta os riscos à saúde.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) também alerta para o potencial de abuso da substância. Em relatório técnico, o órgão afirma que a dipentilona não possui uso terapêutico reconhecido, apresenta potencial de dependência semelhante ao da metanfetamina e já esteve associada a intoxicações graves e mortes em diferentes países.
Diante desses riscos, o comitê de especialistas da OMS recomendou sua inclusão na Lista II da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971.
COMENTÁRIOS